Estudo
indica que as meninas não são piores em matemática do que os meninos
O número relativamente baixo de mulheres com habilidade para a
matemática era indicado como, simplesmente, consequência de diferenças
biológicas entre homens e mulheres.
Um novo estudo internacional, da Universidade de Wisconsin-Madison,
lançou dúvidas sobre a ideia de que as diferenças entre homens e mulher são
estritamente biológicas.
Estudos anteriores tendiam a se concentrar em um número limitado. O novo
estudo observou escolas em 86 países. Uma nova constatação poderá mudar o ponto
de vista das pessoas com relação às diferenças dos gêneros; as diversificações
de desempenho podem ser causadas por fatores sociais - ou seja, a atitude de
cada país em relação às mulheres.
Janet Mertz, autora do estudo e professora de oncologia da Universidade
de Wisconsin-Madison, lembra que há muito tempo pesquisas sobre as diferenças
entre homens e mulheres são feitas, mas "o que mudou é que muitos mais
países orientais são participantes, o que permite uma melhor análise devido às
diferenças culturais”.
O estudo
"Nós descobrimos que os meninos - bem
como meninas - tendem a ser melhor em matemática quando situados em países onde
as mulheres têm uma maior igualdade e isso é importante", diz
Kane. "Faz sentido que
quando as mulheres são bem educadas e ganham um bom salário, os resultados de
matemática de seus filhos de ambos os sexos são melhores."
O estudo se baseou em dados do Programa Internacional de Matemática e
Estudo da Ciência e do Programa International Student Assessment. O estudo
Wisconsin também desmascarou a ideia proposta por Steven Levitt que a
desigualdade dos gêneros não prejudica o desempenho das meninas em países
muçulmanos, onde a maioria dos estudantes frequentam escolas para o mesmo sexo.
Levitt afirmou ter refutado a conclusão prévia dos outros pesquisadores
que sugeriram que a cultura muçulmana em salas de aula (convivência apenas com
pessoas do mesmo sexo) aumenta a capacidade de meninas para aprender
matemática.
Ao
examinar os dados em detalhes, os autores observaram outros fatores
importantes. "As
meninas que vivem em alguns países do Oriente Médio, como o Bahrain e Omã,
teve, de fato, um desempenho fraco, mas os meninos tiveram ainda pior. O
resultado encontrado não esta relacionado a qualquer cultura muçulmana ou a
educação com um único gênero nas salas de aula", diz Kane.
Nos países mais ricos, a participação das mulheres na sociedade e
salários mais justos foi o principal fator ligado à maior pontuação matemática
para ambos os sexos.
Mertz e Kane recomendam o aumento do número professores qualificados em
escolas de ensino médio, diminuir o número de crianças vivendo na pobreza e
assegurar a igualdade de gênero. "Essas mudanças ajudariam a dar às
crianças uma chance de sucesso”, diz Mertz.

